Não é difícil encontrarmos pessoas machucadas emocionalmente pelas “igrejas” e que têm dificuldades em receber Cristo de verdade pelos traumas que estão associados ao seu passado dentro de uma instituição religiosa. Outros ainda permanecem na mesma instituição, mas com cicatrizes ou bloqueios que muitas vezes as impedem de desempenhar a plenitude de sua vida cristã.
Para que não haja confusão e contestações, esclarecemos que igreja neste contexto refere-se apenas a instituição religiosa e usamos muitas expressões entre aspas para não sermos generalistas. Adiante relacionamos algumas situações específicas que ocorriam e ocorrem em igreja que geralmente são fatos causadores desses “traumas”:
  • Falta de formação cristã básica para crianças e adolescentes que se vêem ao longo de anos, obrigadas a viver no ambiente igreja sem conhecer verdadeiramente a Cristo, sem que lhes ensinem o valor de estar ali e assim acabam ficando só até o momento que conquistam sua independência;
  • Pais que submetiam pesadas cargas a seus filhos em nome da igreja, muitas vezes sem que eles tivessem base mínima para compreensão e com isso, acabaram colocando a culpa de tudo sobre a igreja;
  • Mães que ficam dioturnamente falando para os filhos que eles precisam ir para a igreja mas nunca falam de Cristo para eles. Eles não querem uma “igreja”, mas se conhecerem a Cristo verdadeiramente a igreja não lhes seria problema;
  • Líderes sem o devido preparo para tratar de assuntos delicados que tomaram posições erradas, deram conselhos indevidos ou tentaram ajudar em assuntos que não tinham experiência, causando prejuízos em diversas áreas da vida da pessoa;
  • Medidas certas aplicadas de forma errada, tais como um rigor disciplinar extremo aplicado sem que a pessoa tivesse base de ensino para entender isso e  também muitas vezes aplicado de forma que afronta a dignidade da pessoa e a sua privacidade;
  • Exposição pública de erros cometidos, sem se ter o cuidado dos problemas que isso causa de forma permanente para o psicológico da pessoa e para sua vida;
  • Quebra do sigilo da confissão por obreiros despreparados, que de forma imprudente acabaram expondo indevidamente situações constrangedoras ou sigilosos;
  • Decepção com lideranças, que ao invés de dar bons exemplos de caráter e de justiça, não vivem o que pregam e ainda usam a posição para acobertar seus erros e proteger-se de quaisquer consequências;
  • Pessoas e líderes que usaram o púlpito para dar indiretas ou até mesmo diretas em pessoas sobre situações de conhecimento da igreja, constrangendo-as de forma contundente;
Pode até ser chocante para algumas pessoas entenderem que coisas como essas acontecem e que causam traumas profundos em pessoas, que por consequência ficam arredias à qualquer coisa que seja associado a uma igreja. Na realidade para essa análise, temos de considerar que no ambiente espiritual, em situações como essas há sempre a astuta ação do inimigo para potencializar o problema e criar impedimentos à pessoa quanto a Cristo e a Igreja.
A maior consequência de tudo isso é que as pessoas assim machucadas, dificilmente separam as ações que são oriundas de pessoas, que são seres humanos e falham, do que realmente é o evangelho de Cristo e acabam sendo repelentes a ambos.
O caminho da cura para pessoas que foram traumatizados assim, é entender que homens erram, que não há igreja ou instituição perfeita: São dirigidas por homens e sujeitas a isso, mas o importante é saber que Cristo os ama incondicionalmente e que o melhor remédio para curar esses traumas é descansar nos braços dele e sentir o alivio que o evangelho de verdade produz para todos aqueles que conhecem a Cristo de verdade e não se fecham dentro do “quadrado” de um sistema religioso sujeito a tantas interferências da vontade e dos erros humanos.
Pr. Eroni Fernandes